Invocação do Mal
Em primeiro lugar, eu adoro filme de terror. Desde pequeno gostava de assistir as mortes brutais, e hoje diria muito mal feitas, de Jason Vorhees com sua serra elétrica, Freddie Kruger e seus pesadelos terríveis, ou até mesmo Michael Myers com seu facão, tentando eternamente matar sua irmã. O tempo passou e o terror com o vilão protagonista foi sendo modificado.
Com o início do século XXI, a moda dos blockbusters assustadores eram baseados em filmes japoneses como o Chamado, o Grito e até o fraquíssimo Água Negra, dirigido pelo diretor brasileiro Walter Salles e estrelado pela belíssima Jennifer Connelly. Os filmes fizeram tanto sucesso que até vieram as péssimas continuações (temo por sequencias) e enterraram a vontade de continuar americanizando esses tipos de filmes.
Eu posso dizer que o único filme que me assustou depois dessa saga japonesa foi Jogos Mortais 1 e 2, que veio com uma história inédita e um gênero remodelado: o terror psicológico. Nesses filmes, fiquei ansioso, roendo até a unha do dedão do pé, porém, como sempre, acontece sempre um problema quando um filme faz sucesso: fazer várias sequencias. Obviamente, pensando como se fosse uma empresa, se o produto faz sucesso, vamos produzir mais, certo? OK, se um filme faz sucesso e há uma boa história para continuar, acho digno que exista uma continuação, porém o problema é que os produtores de Hollywood não pensam em fazer uma história boa, coesa e que valha a pena fazê-la. Eles pensam no dinheiro, e pronto. Jogos Mortais foi uma boa franquia até o terceiro filme (forçando um pouco o estima), e os outros filmes nem comento porque não vale a pena.
Invocação do Mal é um filme que vem, podemos dizer, continuar o caminho do filme Atividade Paranormal (é o mesmo diretor), que já começou a enfraquecer sua qualidade no terceiro filme, e admito que não vi o quarto filme, porque tive receio da decepção que teria. O tema é o mesmo: espíritos. Porém na verdade, a semelhança é somente isso.
Inovando no terror, Invocação do Mal traz a história de uma família que se muda para uma fazenda, um lugar isolado. Sim, é um clichê, mas não denigre a história do filme. Logo no início vemos que há algo errado nessa casa, porém o terror aqui progride em conjunto com uma boa história. A maior qualidade do filme é que os personagens não são caricatos, sendo apenas pano de fundo para os sustos, mas existe um contexto em cada cena. Lili Taylor está ótima no papel de mãe e dona de casa, e a primeira a começar a perceber que há algo estranho, e também Patrick Wilson e Vera Farmiga se encaixam como uma luva nos papéis respectivos dos investigadores paranormais Edward e Lorraine Warren.
A partir do momento em que os investigadores entram em cena na casa, coisas sinistras começam a acontecer como disse o próprio Edward ao avisar a família: "As coisas poderão se tornar piores a partir daqui". Aí sim eu admito que o terror realmente acontece, fazendo eu pular da poltrona algumas vezes e roendo a unha. Algumas cenas, para dar uma impressão mais realista, são feitas com câmera em primeira mão, chegando a lembrar Atividade Paranormal. Em outras, é mostrado uma visão geral da casa, em ângulos sinistros.
A bela atual conjunta e a dinâmica entre os personagens criam um ambiente completamente humano, aprofundando as emoções e fortalecendo os laços da família Perron, tornando os personagens aptos a demonstrar suas próprias falhas. Isso serve também para a família Warren, mostrando que ambos não são apenas investigadores paranormais, mas que tem uma família para cuidar, incluindo uma filha (destaque para uma cena aterrorizante que envolver a menina do casal).
Para terminar, Invocação do Mal, para mim, é o terror do ano. Me surpreendeu, me assustou e me fez ter esperança que de filmes de terror podem ter sim boas histórias. O pequeno detalhe é que já estão planejando uma sequencia. Isso sim me assusta mais.
Obs: Dêem uma olhada no trailer do filme acima. As cenas são light perto do resto do filme.