sábado, 28 de setembro de 2013

PULGA ATRÁS DA ORELHA #3


   Um dia - David Nichols  





   O mundo de hoje está rodeado de pessoas céticas em relação ao amor, fidelidade, lealdade e companheirismo. Hoje em dia as pessoas estão se tornando mais individualistas e egoístas, pensando em si e apenas no si, deixando de pensar no número dois, no casal, no relacionamento. Por isso que o casamento é uma instituição falida e a vida de "desapego" está na moda. 
  David Nichols criou Dexter Mayhew, o típico jovem de vinte e poucos anos bonito e sedutor, que só pensa em si e no seu próprio reflexo. Ao contrário dele, Emma Morley é uma "nerds" metida a intelectual, chata e irônica. Nada poderia fazer com que ambos ficassem juntos no universo, porém por estranha coincidência, ambos se formavam no mesmo curso e estavam bêbados na noite da formatura. Emma, por mais que parecesse não se importar, era muita atraída pelo jovem  e bonito "Dex". Nessa noite, dia 15 de julho de 1988, acabam ficando e passando a noite juntos conversando no velho e pequeno apartamento que Emma dividia com sua amiga Tilly.
  A noite passa, o dia chega, e com o passar do tempo e a conversa, Dexter se sente intrigado pela menina ao seu lado, chegando a ficar interessado de certo modo, apesar de não ser nem um pouco sexy. Ok, isso parece filme de comédia romântica dos anos 90, mas pára por aí. Ambos se despedem no dia seguinte, cada um indo para um lado, porém , não sem antes trocar telefone.
  A partir daí, a história vai sendo contada durante um ano de suas vidas, exatamente no dia em que passaram a noite juntos. Cada capítulo é o dia 15 de julho do próximo ano, e a vida segue para os dois. Descobrimos que os caminhos para ambos seguem em lados bem diferentes, porém a amizade mantém-se forte, trocando carta ou se falando no telefone, vai se construindo um relacionamento forte e íntimo, inclusive com conselhos de Emma sobre a vida desregrada de Dex, que começa a subir para uma carreira de apresentador, porém não encontra limites.
  A história poderia ser recheada de clichês, mas o foco não é o romance, a vontade que os dois fiquem juntos, mas sim a expectativa de crescimento na vida de cada um dos protagonistas, que ora estão em crise, ora conseguem realizarem seus sonhos. O amadurecimento se torna mais difícil para Dexter que acaba perdendo pessoas próximos e tendo relacionamentos falidos, vendo em Emma sua única relação na vida que dá certo, como uma espécie de melhor amiga, enquanto Emma foca no seu lema de "mudar o mundo", porém vê que a vida real é bem diferente do que pensava.
  Apesar de Emma ser chata, eu sempre torci para que ela conseguisse achar alguém que a merecesse, por sempre estar em constante luta para realizar seu sonho de ser escritora, e no final, não é que vemos Dexter se tornando seu par ideal?
  O livro é muito bem escrito, sempre aprofundando de forma orgânica seus personagens com o passar do tempo, incluindo a história de personagens secundários que interferem diretamente no rumo dos protagonistas. A vida segue para ambos, mesmo depois de mortes, casamentos, filhos e sonhos que acabaram se perdendo pelo caminho.
  O filme interpretado pela multifacetada e bela Anne Hathaway e o sedutor Jim Sturgess nos principais personagens acaba decepcionando um pouco, até por transferir fielmente a história do livro em imagens, fazendo com que algumas cenas não sejam passíveis de entendimento, porém a atuação de ambos salva a limitada película de 108 minutos, que careceria um pouco mais de profundidade no roteiro elaborado pelo próprio escritor.
  Por fim, essa história faz pensar que o amor pode existir sim, relacionamentos existem sim, porém tem que existir paciência para construir, esforço para aguentar as crises, e querer sempre estar ao lado da pessoa. E quando eu digo relacionamentos, não é o amoroso, mas sim o de irmão, o de amigo, o de companheiro. A vida é difícil, e não vale a pena passá-la sozinho. Foi isso que eu aprendi com esse incrível casal.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

BLOW UP #2

Mean Girls



***Contém trechos com Spoiler

Resolvi falar de um filme que é simplesmente incrível que está na minha lista dos mais assistidos na vida, ainda que, num primeiro momento, passe por algo fútil - e não é. O título é Mean Girls, escrito por Tina Fey, dirigido por Mark Waters.
“Filme adolescente”, “filme de colégio”. Dentro do gênero comédia, se este é o assunto, nostálgicos, nos detemos na década de oitenta com os filmes de um momento do cinema em que o grupo Brat Pack1 estava em evidência, em filmes como O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, de John Hudges, A garota de Rosa Choque, de Howard Deutch, Namorada de Aluguel, de Steve Rash, "Te Pego Lá Fora", de Phil Joanou... Uma lista considerável de filmes que se passam no colégio e abusam da caricatura dos personagens do ambiente High School, geralmente envolvendo algum tipo de Bulling, algum romance, uma encrenca, um personagem central com quem nos identificamos logo de início. Este último, ou por sua popularidade - resultado da personalidade ousada e o carisma de Ferris Bueller, por exemplo - ou pela falta dela - como o caso de Ronald Miller e sua "namorada paga".
Tudo o que é apresentado nestas produções com a atmosfera da ingenuidade que é visível muito nos filmes da época e dos reflexos de uma geração. E ainda que os filmes dos anos oitenta sejam sempre "os melhores" nos comentários saudosistas dos que acreditam numa época de ouro desse estilo de cinema, os filmes de colégio perduram e muito do que os clássicos trouxeram naqueles anos está presente nos trabalhos mais recentes. Os mesmos clichês - até mesmo porque as épocas mudam, mas os dramas jovens pra inspirar os roteiros ainda persistem na semelhança. Isso, como em vários outros gêneros e até porque existe a indústria do cinema, resulta em certa banalização e muito do que é feito acaba em um conjunto de cenas com piadas óbvias.

O filme Mean Girls (2004) conta a trajetória da personagem Cady Heron (Lindsay Lohan) dentro da North Shore High School e é um estudo comportamental muito cativante que difere da maneira como estas histórias de colégio vinham sendo contadas. Quando assisti - logo que foi lançado – vários aspectos de potencial crítico saltaram aos olhos: a fraqueza da imagem dos adultos, a educação deficiente dos pais, os preconceitos, o personagem social que todos interpretam dentro do ambiente escolar, enfim. Vale pensar este filme tanto em conteúdo como também em forma.
A ambientação é descaradamente jovem e a protagonista é Star System. A personagem principal de Mean Girls é Cady (Lindsay Lohan), que sempre viajou muito, viveu na África e, por isso, foi educada em casa até se mudar para Chicago e ter de finalmente começar a frequentar o ambiente escolar. Nisso, conhece seus amigos Janis (Lizzy Caplan) e Damian (Daniel Fanzese), que propõem que ela se infiltre no trio de garotas patricinhas que domina a escola, as "Poderosas" (The Plastics, no original) que são Gretchen (Lacey Chabert), Karen (Amanda Seyfried) e, a principal vilã, Regina (Rachel McAdams). A história do filme é contada por Cady e se passa num ambiente que é bem recorrente dentro do cinema de comédia norte americano: a escola secundária.
Em geral, filmes que se passam neste mesmo cenário, não fogem ao clichê da caricatura dos personagens típicos presentes - a boazinha, a patricinha popular e má, o excluído, os jogadores de futebol, o nerd. Todos tipos revisitados, num roteiro que foca um retrato das adolescentes americanas. Cady, a novata com uma personalidade ingênua, Janis e Damian (que ridicularizam as atitudes absurdas dos tipos da escola secundária) que são os amigos da personagem principal - ainda que acabem por 'usar' a recém-chegada numa vingança pessoal contra o trio das Podersas. Regina é a popular, maligna e temida patricinha que gosta de usar o seu poder de seduzir a todos. Gretchen e Karen são suas amigas e seguidoras, altamente passivas. A função de cada uma das personagens na história é evidente desde a apresentação trazendo esse reflexo da futilidade presente durante os anos de colégio que, talvez, venha a se estender por uma vida. 
Pensar nisso e tentar entender os fenômenos presentes nas discussões saídas deste filme, sobretudo os valores que se perdem aliados ao fato do fenômeno jovem do pertencimento, do grupo, da necessidade de fazer parte de algo como uma característica cada vez mais presente na sociedade, essa coisa da mídia que descreve rumos. Não tenho certeza se pode ser considerada uma das deficiências da personagem a falta dessa convivência em ambiente escolar, já que foi educada sempre em casa, e isso pode ter contribuído para a necessidade de ser aceita por um grupo. Mas acredito que sim. Interessante refletir também sobre a relação disso com o fato de Tina Fey, a roteirista, neste caso, que deixa transparecer esses estereótipos e é justamente conhecida por esse humor crítico, ácido a la Saturday Night Live (programa de TV em que também já foi roteirista) e que sempre bate na tecla do feminismo, enfim.
A história do filme percorre um ano de Cady no colegial, desde sua entrada na escola até o momento em que a paz se estabelece entre as garotas. Dentro disso, várias características precisam ser consideradas na construção do discurso dos filme teen. Os personagens são caricaturas e é intrigante pensar em como os adultos são representados no filme por meio de vários clichês destas comédias adolescentes. A mãe de Regina, por exemplo, não passa de uma dondoca, uma figura familiar de uma estrutura falida de educação, que não tem qualquer poder sobre as atitudes da filha, representando um papel muito comum dos filmes deste tipo, em que é mostrada a impotência dos pais com relação aos filhos e o reflexo disso no caráter da nova geração; O diretor da escola parece não ter qualquer controle do que está fazendo, nem mesmo sabe como lidar com as alunas quando a situação fica mais tensa na segunda metade do filme; Os professores que são quase sempre ridicularizados nestes filmes, por um lado, se tratando do descontrole na vida pessoal e/ou ainda pela falta de ética – neste caso, como na professora interpretada por Tina que é cheia de problemas pessoais, bem como o professor de Educação Física, que se aproveita de suas alunas.
O romance na comédia adolescente é basicamente algo necessário. Pelo histórico das produções, quando estamos assistindo um filme de temática adolescente estamos (mesmo que subconscientemente) aguardando um romance se desenrolar.
"Quando aparece a menina mais cobiçada da escola, inalcançável, que namora um atleta?"
E, da mesma maneira, "onde se encontra o garoto impossível, perfeito, que namora a líder de torcida popular e que vai acabar com a vida social da pessoa que ameaça atravessar o seu caminho?"
No caso deste filme, o pretendente é o namorado da vilã, Regina. Ele é perfeito: bonito, inteligente, tem carisma. E aí a personagem principal também precisa se superar pra tentar conquistar o rapaz - e isso sempre é algo que rende alguma humilhação, retaliação e, geralmente, está relacionado ao ponto de virada do filme, tudo muito característico.
Além de tudo isso, existem certas situações que os personagens precisam experimentar nos filmes teen. Assuntos que, mais do que recorrentes, são decisivos na vida dos personagens. Em geral, festas. Festas que definem casais, que serve para a autoafirmação, que são desculpas para a promiscuidade. Mas o principal evento sempre é o baile. O baile que reforça vários aspectos, grupos, a expectativa da coroação, o rei e a rainha.  Ou seja, ainda que os temas sejam algo já explorado e a narrativa clássica faça com que ela seja semelhante a vários outros filmes, a maneira como ele funciona mostra que a Hollywood pode muito bem persistir numa mesma execução sem persistir no erro. A criatividade permite que a fórmula seja repetida, mas não maçante a ponto minar o argumento proposto. Muitos já viram um filme que se passa no colégio e, de alguma maneira, eles acabam por colocar a patricinha ou o zagueiro (ou simplesmente os ícones populares, enfim) em seu lugar, devolvendo a humilhação. Mas com certeza é em utilizar criativamente dos recursos cinematográficos - ou não - que temos um filme diferente dos demais. Ou seja, é um flashback ou ainda um diálogo irônico (ou os dois juntos) que pode mudar o tom do filme e dar um diferencial que enriquece a narrativa, mudar uma intenção.  Por exemplo, uma cena em que Cady tem uma conversa trivial com Regina e percebe que ela critica a saia de uma colega talvez seria só isso e passasse em branco caso não fosse inserido visualmente o vislumbre de Cady, um flashback, que atribui importância para aquela cena. Julgamos as personagens sob a ótica dela, Cady, e em vários momentos isso é ressaltado, por exemplo, por meio de suas lembranças, reafirmando os estereótipos e o caráter dos personagens - como na cena do shopping, na briga coletiva entre as meninas da escola em que é feita a comparação com as savanas em que Cady estava sempre presente desde a infância.  E aí vem essa relação com a novidade, já que dentro de um subgênero se estabelece um conjunto de códigos que precisam ser utilizados de maneira original para fazer valer dentro de um universo que se busca o novo, como é o caso de qualquer arte. Por mais redondo, transparente, cronológico – isso correndo o risco de ser sempre enfadonho e igual aos outros – existem subterfúgios comuns que podem tornar a obra original. Neste caso, a ordem dos fatores alterou o produto. O filme é genial e simples.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

PULGA ATRÁS DA ORELHA #2



      CISNES SELVAGENS


   "Remoendo esses pensamentos, recordei minha vida na China, minha família e todas as pessoas que eu conhecia, e naquele momento desejei de todo coração contar ao mundo nossas histórias e como os chineses se sentiam de verdade".
  Eu não me recordo da primeira vez que ouvi falar sobre o livro Cisnes Selvagens, de Jung Chang (como elas mesma diz no livro, "Meu nome, 'Jung', se pronuncia 'Iung'"), mas sei que nas primeiras páginas já entrei no universo feudal da China para sair somente depois da morte de Mao Tsé-Tung, abrindo minha cabeça para um país que a única coisa que vinha na minha cabeça era grilos comestíveis e os produtos importados de qualidade duvidável.
  A história que começa na primeira geração de mulheres da mesma família, com Yang Ru-shan, em 1909 e termina na quarta geração com a escritora, Jung Chang, mostra a vida de uma família, sob o ponto de vista feminino, nas mudanças sofridas em um século num país que hoje é considerado um futura potência mundial, e que começa a abrir seu mercados aos poucos depois de uma ditadura comunista que fechou o país por muitos anos, por dentro e por fora.
  Respeitando a realidade crua, porém sem nunca deixar de transparecer uma eterna esperança em conseguir lutar por sua vida, Jung Chang escreve uma autobiografia nos minímos detalhes, respeitando a origem de seu sangue, e mais, homenageando as palavras de sua mãe que mostrou partes da história que desconhecia.
  Lágrimas podem escorres de seus olhos durante passagens duras enfrentadas por essa família de lutadoras, que tiveram falsas esperanças acreditando que seus sonhos humildes poderiam serem alcançados com o partido comunista, assim como você pode acabar torcendo pelos personagens, que de simples seres humanos, acabam por se tornarem heróis da vida comum, lutando por um pouco de comida, lutando pela família, lutando por sua vida.
  É importante ressaltar que desde os generais caudilhos, Kuomintang, até o ditador Mao, sempre buscou por meio das ricas lembranças transformadas em palavras, existir os dois lados da história e como a própria protagonista se sentiu confusa ao entender a realidade dos fatos quando conseguiu sair de seu pais.
  Cisnes selvagens é uma história viva, fatos reais que se tornaram uma fantasia dolorosa, incrível e bela. Me senti vivendo com as protagonistas, e acabei, por fim, me apaixonando pela incrível China e sua dura história, que possui muito mais brilho e complexidade do que ouvimos falar de fora do país.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

BLOW UP #1

A PELE QUE HABITO Pedro Almodóvar




*ESTE TEXTO CONTÉM SPOILER!


“Não é Almodóvar”, a primeira frase que vem ao pensamento - de uma pessoa que foi “armada” ao cinema - enquanto assistia o início do filme A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar. Refletir sobre as pequenas marcas autorais do diretor é saber que ele “grita” em discurso, em personagens e em cores – principalmente. Sim, temas como traição, a obsessão do diretor com o sexo e a solidão certamente estão presentes. Mas, definitivamente, é o menos marcado de sua filmografia, e com um argumento, no mínimo, interessante: o médico que muda o sexo de um rapaz por vingança.
O segundo pensamento vem do desenrolar da trama estabelecida pelo diretor. Esse filme abandona o gênero típico do autor, o drama, e embarca numa história tensa, misteriosa que mostra um profissional obsessivo, traumatizado e reservado que vai ao extremo, rompendo os limites éticos da medicina, alcançando consequente e simultaneamente retaliação e experimentação em uma única oportunidade. A narrativa não linear é o que alimenta o suspense que vai fornecendo aos poucos os elementos para desvendar a história, o argumento.
A pele que o personagem habita representa a violação do corpo e a perda da identidade. Isso porque a sociedade contemporânea passa por um momento em que é comum ouvir falar de procedimentos de mudança de sexo. Sendo assim, tendo em vista todos os tratamentos necessários para trabalhar o físico e o mental de uma pessoa que se sujeita a tais procedimentos, como assistir o filme e não pensar em todo o possível desgaste emocional, o transtorno, a loucura que pode vir a perturbar o personagem em questão? Isso tudo é tratado com muita frieza no desdobramento da trama e acredito que é o que mais acaba causando certo desconforto. A pele é o órgão que nos define. No entanto, a pele que aquele personagem habita é a que ele foi sujeitado.


Ainda que eu não goste do fato de que a história teve um desfecho milimetricamente pensado para a conveniência do personagem com um “final feliz”, permeado por uma trilha sonora que anacrônica em relação ao clima estabelecido, o filme causa essa reflexão a respeito da nossa pele: o personagem teve que “vestir” aquela. O próprio corpo ali é a prisão de Vicent, que passa a representar Vera secamente que, inclusive, passando por uma tentativa de suicídio, tenta se refugiar nas poucas alternativas de seu confinamento – como a yoga, por exemplo. E o que se passa pela cabeça de alguém condicionado desta maneira? Logicamente, não com a mesma premissa “Frankensteiniana”, mas quantas pessoas vivem um drama semelhante fora desse filme, onde o corpo é o próprio limite do ser? Por isso vejo como um filme de temática perturbadora, ao menos, e que vale a hora e meia de sua atenção.

domingo, 15 de setembro de 2013

PULGA ATRÁS DA ORELHA

  Bem-vindo ao clube!

  E aí galera, beleza?

  Aqui começa o primeiro post do blog criado por mim (Gabriel, prazer!), Ana e Bruna, com o intuito de informar, aconselhar e mais do que tudo, opinar sobre séries, filmes e música que valham a pena assistir/escutar. Somos muito aficionados pela cultura pop e sempre estaremos mostrando aqui os mais diversos seriados, filmes e músicas que nos chamaram atenção. Espero que gostem e principalmente opinem, pois queremos também saber o que acharam do blog, para sempre estar melhorando e atualizando para vocês leitores!


  Como primeiro post resolvi falar de um seriado que trouxe uma impressão inovadora para mim sobre a vida cotidiana de uma cidade no interior dos Estados Unidos. Friday Night Lights foi baseado no best-seller de mesmo nome, e escrito por H.G. Buzz Bissinger, sobre um time de futebol americano chamado Permian Panthers de Odessa, Texas. Inclusive o livro se transformou em filme, em 2004, pelo mesmo criador do seriado Peter Berg, com Billy Bob Thornton e Garret Hedlund.
 O seriado, basicamente, trata de um treinador de futebol americano, Eric Taylor (estrelado por Kyle Chandler) que se muda com sua esposa, Tami Taylor (Connie Britton, em uma belíssima atuação) e Julie Taylor (Aimee Teegarden), para Dillon, Texas (cidade fictícia), para encarar o desafio de levar o time de futebol americano Dillon Panthers até a final do campeonato estadual. 
  Composto de cinco temporadas, os primeiros episódios da primeira temporada focam basicamente na apresentação dos personagens e no futebol americano, apesar de que no primeiro episódio já há um clímax tenso com o quarterback Jason Street (Scott Porter), desenvolvido nos próximos episódios. Com os passar dos episódios, a história dos personagens vai se aprofundando e observei que o começo caricato dos personagens é deixado para trás, trazendo atuações incríveis e consistentes principalmente da preocupação de Tami Taylor perante o crescimento da filha, como a vontade de crescer da personagem Tyra Collette (Adrianne Palicki), e tentar sair do ciclo envolvido pela sua mãe mal-amada e sua irmã stripper, assim como do próprio Jason Street que de quarterback e estrela da cidade, acaba por ser considerado um pária, ou até mesmo de Lyla Garrity (Minka Kelly), começando a série como garotinha mimada e inocente, para depois começar a amadurecer, depois de sentir a realidade depois inesperadas e infelizes surpresas.
  Confesso que alguns episódios lembram levemente seriados como The O.C., mas no contexto em geral é uma séria que traz uma realidade incrível sobre os reais problemas da sociedade americana e os desafios enfrentados todos os dias por pessoas comuns. Mais do que isso, o seriado consegue inovar, buscando valorizar o conceito de família, superação e perdão.
  Preciso dizer mais uma vez que Connie Britton teve o papel da sua vida fazendo Tami Taylor, apesar de ainda não tê-la visto no atual seriado que ela estrela Nashville, se encaixando como uma luva na mãe e esposa que consegue manter a família nas costas enquanto a filha de 15 anos começa a se rebelar e o marido enfrentando os problemas e a pressão constante de ser o treinador de um time que é símbolo da cidade. Alíás, é interessante como em cada episódio, é ressaltado a importância do time para a cidade, inclusive tendo cenas em que a família Taylor dirige até a escola, com o rádio ligado, e sempre estão falando do próximo jogo do Dillon Panthers. Porém, para aqueles que não são fãs do futebol americano, não se preocupem, o esporte começa a se tornar apenas um pano de fundo para os reais problemas que acontecem com os personagens.
  Por fim, posso dizer que é um seriado que realmente vale a pena assistir, e não precisa ter pulga atrás da orelha. O primeiro episódio já faz com que você queira seguir os seguintes, e cada episódio não termina em si, deixando para que a resolução seja finalizada no próximo, deixando o telespectador com mais ansiedade e vontade de ver o próximo e o próximo e o próximo...