segunda-feira, 23 de setembro de 2013
PULGA ATRÁS DA ORELHA #2
CISNES SELVAGENS
"Remoendo esses pensamentos, recordei minha vida na China, minha família e todas as pessoas que eu conhecia, e naquele momento desejei de todo coração contar ao mundo nossas histórias e como os chineses se sentiam de verdade".
Eu não me recordo da primeira vez que ouvi falar sobre o livro Cisnes Selvagens, de Jung Chang (como elas mesma diz no livro, "Meu nome, 'Jung', se pronuncia 'Iung'"), mas sei que nas primeiras páginas já entrei no universo feudal da China para sair somente depois da morte de Mao Tsé-Tung, abrindo minha cabeça para um país que a única coisa que vinha na minha cabeça era grilos comestíveis e os produtos importados de qualidade duvidável.
A história que começa na primeira geração de mulheres da mesma família, com Yang Ru-shan, em 1909 e termina na quarta geração com a escritora, Jung Chang, mostra a vida de uma família, sob o ponto de vista feminino, nas mudanças sofridas em um século num país que hoje é considerado um futura potência mundial, e que começa a abrir seu mercados aos poucos depois de uma ditadura comunista que fechou o país por muitos anos, por dentro e por fora.
Respeitando a realidade crua, porém sem nunca deixar de transparecer uma eterna esperança em conseguir lutar por sua vida, Jung Chang escreve uma autobiografia nos minímos detalhes, respeitando a origem de seu sangue, e mais, homenageando as palavras de sua mãe que mostrou partes da história que desconhecia.
Lágrimas podem escorres de seus olhos durante passagens duras enfrentadas por essa família de lutadoras, que tiveram falsas esperanças acreditando que seus sonhos humildes poderiam serem alcançados com o partido comunista, assim como você pode acabar torcendo pelos personagens, que de simples seres humanos, acabam por se tornarem heróis da vida comum, lutando por um pouco de comida, lutando pela família, lutando por sua vida.
É importante ressaltar que desde os generais caudilhos, Kuomintang, até o ditador Mao, sempre buscou por meio das ricas lembranças transformadas em palavras, existir os dois lados da história e como a própria protagonista se sentiu confusa ao entender a realidade dos fatos quando conseguiu sair de seu pais.
Cisnes selvagens é uma história viva, fatos reais que se tornaram uma fantasia dolorosa, incrível e bela. Me senti vivendo com as protagonistas, e acabei, por fim, me apaixonando pela incrível China e sua dura história, que possui muito mais brilho e complexidade do que ouvimos falar de fora do país.
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